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Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia lança Apelo Regional de apoio aos Estados-membros da SADC para contenção do Gafanhoto Migratório Africano

O Ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, lançou na manhã de ontem o apelo regional de apoios aos Estados-membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para a contenção do Gafanhoto Migratório Africano (GMA).

O anúncio foi feito no decurso da reunião regional da SADC, em formato de videoconferência, que foi presidida pela Dra. Stergomena Laurence Tax, secretária executiva da SADC e, na qual, o ministro Celso Correia fez o discurso central para a região, em torno deste tema, por Moçambique ter assumido a presidência da comunidade durante a 40ª cimeira anual desta organização.

Falando na ocasião, Celso Correia disse o apelo tem o objectivo de facilitar a vigilância terrestre, mapeamento e aviso prévio para acção antecipada, montar uma resposta regional, incluindo suporte logístico e melhorar a comunicação de risco e a criação de consciência particularmente entre membros das comunidades afectadas.

“No caso de Moçambique, as planícies de Búzi e do Lago Chiúta, no Norte e Centro do país, na província nortenha do Niassa, são uma das sete reconhecidas zonas de inclusão do gafanhoto vermelho em África, por sinal uma das mais produtivas do país”, disse.

Recordou ainda que em 1998 ocorreu em Moçambique o maior surto desta praga, com cerca de 70 nuvens de gafanhotos que se acredita terem migrado da região do Búzi, Gorongosa, no Centro de Moçambique, que causou perdas económicas elevadas. Estimativas indicam que cerca de 200 mil hectares de diversas culturas e áreas de pastagem foram devastadas, dos quais somente dez mil foram tratadas.

Os custos das operações de prospecção e controlo aplicados naquela ocasião foram estimados em cerca de 800 mil dólares americanos e gastos cerca de onze mil litros de insecticidas no controlo da praga. Porém, este ano, o país identificou no passado dia 05 de Novembro corrente ninfas de gafanhoto vermelho que exigem a intervenção imediata do Governo de Moçambique.

“No geral, embora os esforços dos países afectados para controlar esta praga tenham sido contínuos, eles foram pouco significativos devido a outros desafios. Na nossa região, as informações disponíveis ditam que a praga espalhou-se das suas áreas de reprodução tradicionais para o Delta do Okavango, as zonas húmidas do Chobe e as planícies do rio Zambeze, onde devido a questões ambientais a aplicação de pesticidas sintéticos foi limitada”, sublinhou.

Adiante fez saber que o crescente número de áreas críticas e disseminação do GMA é preocupante, tendo em conta a ameaça que a praga representa para culturas irrigadas e a próxima principal época de plantio, uma vez que o GMA tem o potencial para piorar a já precária situação de segurança alimentar e nutricional da região.

Referiu ainda que durante a reunião do comité técnico de directores de culturas agrícolas da SADC, igualmente realizada virtualmente, no mês passado, os Estados-membros concordaram em trabalhar juntos para fortalecer a capacidade de resposta de emergência dos países afectados e instituições de apoio regional para combater a praga, particularmente nas áreas críticas.

Outras medidas acordadas incluíram o estabelecimento de monitoramento comunitário de gafanhotos, alerta precoce e medidas de controlo, o uso de tecnologias de informação para a produção de relatórios e aplicativos de comunicação, bem como a realização de pulverização local de emergência com pesticidas sintéticos ecológicos e o fortalecimento da troca de informação entre os mecanismos de coordenação para uma resposta eficaz”, disse.

Aos Estados-membros afectados, o Ministro Celso Correia manifestou a apreciação colectiva pelos esforços concertados que estão a envidar para combater o surto tendo em conta que isso ocorre num momento em que a região está a lutar para gerir os impactos do Covid-19 que já desviaram esforços e recursos escassos para combater os seus impactos.

Queríamos por isso, apelar aos nossos parceiros que apoiam totalmente este esforço com vista a combater este surto que tem potencial para expandir não só em todos os Estados membros da SADC, mas migrar para outras regiões com consequências terríveis para a segurança alimentar do continente Africano”, enfatizou.

Partilhou ainda a informação segundo a qual, Moçambique criou um fundo de resposta as emergências, que inclui secas, cheias, ciclones e pragas ou doenças endémicas do sector agrário. Este fundo é resultado de um plano de emergência que é preparado de acordo com as previsões e activado quando o fenómeno ocorre. O mesmo é financiado pelo governo e pelos parceiros de cooperação.

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