Governo desafia o sector privado a transformar a pesca artesanal em pesca de pequena escala

O Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, desafiou no dia, 18 de Março de 2026, na cidade da Beira, o sector privado a desenvolver mecanismos para transformar a pesca artesanal nociva em pesca de pequena escala sustentável. O dirigente fez estas declarações durante a abertura de uma reunião de dois dias com operadores de pesca e de aquacultura, que decorreu de 18 a 19 de Março do presente ano.

Na ocasião, o governante destacou que o encontro visa desenhar um modelo de financiamento baseado na procura, tendo os pescadores semi-industriais e industriais como fomentadores da pesca de pequena escala. Estes deverão aceder ao crédito e, posteriormente, canalizá-lo aos pescadores de pequena escala, através do fornecimento de embarcações, artes de pesca e consumíveis.

“Achamos que este é um mecanismo sustentável, porque permitirá a renovação do crédito para continuarmos a desenvolver e transformar a pesca artesanal em pesca de pequena escala, com o objectivo de torná-la sustentável. Isto será possível pelo facto de passar a ser praticada com embarcações e artes de pesca adequadas, que permitirão pescar em mar aberto, aliviando a pressão sobre as zonas de reprodução do peixe”, sublinhou o Ministro.

Relativamente ao plano de recuperação do camarão no Banco de Sofala, o dirigente salientou que, durante o encontro, serão discutidas as medidas que ambas as partes devem adoptar para incrementar os níveis do recurso pesqueiro.

“Sentimos, junto dos operadores, uma vontade genuína de contribuir para os esforços necessários para garantir a reprodução do peixe e de outros recursos marinhos, de modo a que, no futuro, se alcance a retoma dos níveis de quantidade e qualidade dos recursos pesqueiros capturados”, frisou Roberto Albino.

O governante acrescentou que o camarão produzido em cativeiro está a ganhar destaque no mercado, em detrimento do camarão capturado no mar. Por essa razão, destacou a necessidade de um trabalho coordenado entre pescadores, operadores e o Governo, com vista ao incremento da produção.

“Não estamos a dizer que queremos combater o camarão de aquacultura, mas é necessário que o nosso camarão tradicional volte a ocupar o seu lugar de referência no mercado internacional, permitindo a obtenção de melhores preços, de modo a ajudar as empresas a recuperar os prejuízos e o aumento dos custos de produção que enfrentam actualmente”, disse Roberto Albino.

O Ministro exortou as empresas operadoras a desenharem uma campanha de recuperação, sublinhando que o Governo, no âmbito dos seus programas de apoio ao sector privado, irá incluir o cofinanciamento da campanha de marketing do camarão “Made in Mozambique”.

Artigos relacionados