MAAP Alerta para Perdas Agrícolas Causadas por Pragas e Reforça Vigilância Fitossanitária no País

O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP) alertou, esta terça-feira, (12 de Maio) na cidade de Maputo, que as pragas e doenças agrícolas continuam a causar perdas significativas na produção nacional, afectando a segurança alimentar, os rendimentos dos produtores e o potencial de exportação do país. O posicionamento foi apresentado pelo Secretário de Estado da Terra e Ambiente, Gustavo Sobrinho Dgedge, durante a abertura da Reunião Nacional de Sanidade Vegetal e das celebrações do Dia Internacional da Sanidade Vegetal, promovidas pela Direcção Nacional de Sanidade e Biossegurança (DINASAB), em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), sob o lema “Proteger as Plantas das Pragas e Doenças é Garantir a Nossa Alimentação”.

Durante o seu discurso, Gustavo Dgedge revelou que Moçambique continua a enfrentar impactos severos provocados por pragas como a Mosca Oriental da Fruta, a Lagarta do Funil do Milho, a Traça do Tomateiro, o Amarelecimento Letal do Coqueiro e o Mal do Panamá da bananeira. Segundo explicou, a Mosca Oriental da Fruta provocou perdas avaliadas em cerca de 2,5 milhões de dólares norte-americanos e comprometeu investimentos previstos na produção de fruteiras na região centro do país. Já o Mal do Panamá reduziu em cerca de 90 por cento as exportações de banana das empresas afectadas em Nampula e Cabo Delgado.

O governante destacou ainda que mais de 50 por cento dos coqueirais da província da Zambézia foram destruídos pelo Amarelecimento Letal do Coqueiro nos últimos anos, enquanto a Lagarta do Funil do Milho e a Traça do Tomateiro chegaram a provocar perdas de rendimento próximas de 100 por cento em campos de pequenos produtores. Acrescentou que, actualmente, o país continua a perder mais de 30 por cento das culturas alimentares todos os anos devido a pragas e doenças agrícolas.

Perante este cenário, o MAAP, em coordenação com parceiros nacionais e internacionais, têm vindo a implementar medidas de prevenção, monitoria e controlo biológico, incluindo a introdução de parasitóides para combate à Mosca da Fruta, reforço das medidas de biossegurança nas zonas afectadas pelo Mal do Panamá e ensaios de 33 variedades de banana resistentes à doença na província de Nampula. As autoridades realizam igualmente monitorias regulares e colheita periódica de amostras em várias províncias para evitar a propagação de doenças para novas áreas de produção.

Por sua vez, a FAO reiterou o compromisso de continuar a apoiar Moçambique no fortalecimento dos sistemas fitossanitários e na promoção da gestão integrada de pragas e doenças. A organização destacou que até 40 por cento da produção agrícola mundial é perdida anualmente devido a pragas e doenças das plantas, causando prejuízos superiores a 220 mil milhões de dólares por ano. Salientou ainda a introdução do aplicativo FAMEWS para monitoria e alerta precoce da Lagarta do Funil do Milho, ferramenta que está a reforçar a capacidade nacional de resposta e vigilância fitossanitária.

O encontro terminou com o apelo ao envolvimento colectivo na protecção das plantas, reconhecendo que a sanidade vegetal é fundamental para garantir a segurança alimentar, preservar a biodiversidade, fortalecer a economia nacional e assegurar sistemas agrícolas mais resilientes e sustentáveis no país.

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