Maputo foi no dia de 08 de Abril corrente, palco da abertura da Conferência sobre a Economia da Vida Selvagem, um momento descrito como decisivo para repensar o papel das áreas de conservação no desenvolvimento do país. A sessão de abertura foi dirigida pelo Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, que defendeu uma abordagem baseada na escuta, aprendizagem e reflexão crítica antes da tomada de decisões.
Num discurso marcado por uma analogia clara e impactante, o governante comparou a postura do Executivo à de um médico responsável. Alertou que, tal como um médico não deve prescrever sem antes ouvir o paciente, também o Governo não deve avançar com soluções sem compreender profundamente os desafios do sector. Por isso, assumiu o compromisso de participar integralmente nos trabalhos da conferência, com o objectivo de ouvir os diferentes intervenientes e recolher contributos antes de apresentar orientações concretas.
Num tom directo, lançou três desafios centrais para reflexão ao longo da conferência. O primeiro incide sobre o impacto do sector no desenvolvimento local, questionando o facto de muitas áreas de Safari continuarem a ser vistas como remotas, sem gerar transformações visíveis nas comunidades circundantes. Defendeu que, se o impacto fosse significativo, estas regiões deveriam evidenciar dinâmicas de crescimento e progresso.
O segundo desafio recai sobre a necessidade de maior envolvimento da juventude moçambicana. O Ministro alertou para a fraca presença de jovens no sector, sublinhando a urgência de tornar as actividades ligadas à vida selvagem mais atractivas, qualificadas e capazes de reter talentos jovens nacionais.
Por fim, destacou a necessidade de reavaliar o actual modelo de gestão das áreas de conservação. Recordou que muitas destas foram definidas nas décadas de 60 e 70, num contexto completamente diferente, defendendo a sua requalificação e redimensionamento. O objectivo, segundo afirmou, é garantir maior eficácia na gestão, promover o desenvolvimento local e reduzir os conflitos entre as comunidades e a fauna bravia.
A conferência com duração de 2 dias reúne representantes do Governo, parceiros de cooperação, especialistas do sector, afirmando-se como um espaço estratégico para alinhar visões e impulsionar uma economia da vida selvagem mais inclusiva, sustentável e orientada para resultados concretos no terreno.