Teve lugar esta segunda-feira, 02 de Março, em Maputo, o lançamento do AgriConnect, numa cerimónia dirigida pelo Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, que reafirmou o compromisso do Governo em posicionar a plataforma como instrumento estratégico para impulsionar o sector agrário e pesqueiro em Moçambique.
O AgriConnect constitui uma iniciativa estruturante orientada para acelerar a transformação do sector, dinamizar o agronegócio, promover a geração de emprego digno, sobretudo, para mulheres e jovens e reforçar a segurança alimentar e nutricional em todo o território nacional.
Entre as suas prioridades, a plataforma deverá consolidar cadeias de valor com elevado potencial de rendimento, como a banana, o açúcar, o algodão e a castanha, bem como dinamizar cadeias emergentes estratégicas — nomeadamente o arroz, o milho, o feijão e a tilápia — actualmente marcadas por forte dependência de importações, mas com significativo potencial de geração de emprego e redução da vulnerabilidade externa.
Outro desafio central do AgriConnect será promover a transição da informalidade para a formalidade. A integração de milhões de agricultores no sistema formal permitirá ampliar o acesso ao crédito, facilitar a celebração de contratos e assegurar uma inserção efectiva nos mercados. Neste contexto, a digitalização assume carácter crucial e urgente para viabilizar este processo.
“O que queremos, no final do dia, é construir uma base sustentável, sólida e resiliente”, afirmou o Ministro, sublinhando que o alcance destas metas exige prioridades claras, entre as quais: a produção de alimentos suficientes, nutritivos e acessíveis; o fortalecimento do sistema nacional de sementes; a expansão dos serviços de extensão rural com enfoque no agronegócio e na utilização de plataformas digitais; bem como o investimento em irrigação sustentável e em mecanismos de reserva de água, elementos essenciais para uma matriz de desenvolvimento sustentável.
O governante defendeu ainda a criação de instrumentos financeiros adequados à realidade dos produtores, especialmente mulheres e pequenos agricultores, que enfrentam maiores barreiras de acesso ao sistema bancário formal. Ressaltou que, para além da mobilização de recursos, é fundamental garantir que estes cheguem efectivamente aos principais actores do desenvolvimento agrário, com o envolvimento activo do sector privado.
Intervindo na ocasião, o Director do Grupo do Banco Mundial para Moçambique e Região, Fily Sissoko, destacou que o AgriConnect está alinhado com a nova estrutura de parceria com o país, que coloca o emprego e as oportunidades económicas no centro da cooperação. Sublinhou que o agronegócio representa cerca de 26% do PIB e emprega aproximadamente 70% da população, sendo o sector mais bem posicionado para impulsionar esta agenda, sobretudo num contexto em que cerca de meio milhão de jovens ingressa anualmente no mercado de trabalho, face a um número limitado de empregos formais disponíveis.
Sissoko acrescentou que o AgriConnect será ancorado pelo Programa de Desenvolvimento da Cadeia de Valor do Agronegócio de Moçambique (MozAgriBiz), cuja preparação está em curso, prevendo-se um investimento estimado em 500 milhões de dólares norte-americanos ao longo dos próximos 10 anos. A iniciativa pretende mobilizar financiamento, alinhar o investimento público e atrair capital privado para cadeias de valor prioritárias, com especial enfoque nos pequenos produtores — que representam 98% dos agricultores — promovendo maior produtividade, incremento de rendimentos e reforço da resiliência climática.
Por sua vez, o representante da FENAGRI, Ângelo Cumaio, considerou a iniciativa louvável por estabelecer uma ligação directa entre o campo, os financiadores, os centros de produção e os mercados consumidores. Manifestou a expectativa de que sejam criadas condições que assegurem o acesso ao instrumento por parte dos que mais necessitam, inclusive aqueles que actualmente não reúnem todos os requisitos formais de adesão. Reiterou ainda a disponibilidade da FENAGRI e dos seus associados para participar activamente na implementação da iniciativa, contribuindo para o aumento da produção nacional.
O Director-Geral da AgriRede, Litos Raimundo, que representa o Grupo de Trabalho da Agricultura e Desenvolvimento Rural, referiu que o momento simboliza um compromisso colectivo de conectar produtores, cooperativas e pequenas e médias empresas agrárias, permitindo-lhes prosperar num ambiente cada vez mais competitivo e marcado por choques climáticos. Acrescentou que o mandato do grupo é claro: apoiar a implementação das prioridades nacionais definidas no Programa Quinquenal do Governo 2025–2029.
Com o lançamento do AgriConnect, o Governo e os parceiros reafirmam a determinação de transformar o sector agrário num motor efectivo de crescimento económico, inclusão social e desenvolvimento sustentável em Moçambique.